Conheça todas as mulheres que já foram indicadas ao Oscar de melhor direção

Quem ainda duvida de que a desigualdade de gênero seja uma realidade no Oscar só precisa olhar para a categoria de direção para mudar de ideia. Os números, aqui, são bem claros: nos 94 anos em que a premiação existe, apenas sete mulheres foram indicadas ao prêmio – e apenas três ganharam.

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Das sete diretoras indicadas, apenas uma não é branca e apenas uma concorreu mais de uma vez, totalizando oito indicações para mulheres no total. Além disso, quatro das cineastas não nasceram nos Estados Unidos e apenas uma concorreu ao prêmio de direção sem ser também autora do roteiro de seu filme.

Mulher no Cinema relembra todas as profissionais que já foram indicadas na categoria. Confira:

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Lina Wertmüller, pelo filme Pasqualino Sete Belezas (1975)

Quarenta e oito edições do Oscar se passaram até que a primeira mulher fosse indicada ao prêmio de direção, em 1977. Coube à diretora italiana Lina Wertmüller entrar para a história da premiação com seu Pasqualino Sete Belezas, que mistura drama e humor para contar a história de um desertor italiano que é capturado por soldados alemães durante a Segunda Guerra (1939-1945).

A cineasta concorreu com Alan J. Pakula, de Todos os Homens do Presidente; Ingmar Bergman, por Face a Face; Sidney Lumet, por Rede de Intrigas; e John G. Avildsen, por Rocky: Um Lutador, ganhador do prêmio. Até agora, ela é a única mulher a ter disputado o prêmio de direção sem que seu longa-metragem tenha sido indicado na categoria de melhor filme. Pasqualino Sete Belezas também concorreu a outros três troféus: filme estrangeiro (representando a Itália), ator para Giancarlo Giannini e roteiro original para Wertmüller.

A italiana, que morreu em 2021, não voltou a ser indicada, mas ganhou um Oscar honorário em 2019. Outros de seus trabalhos incluem E Agora Falamos de Homens (1965), Mimi, o Metalúrgico (1972), Amor e Anarquia (1973), Por um Destino Insólito (1974), Amor e Ciúme (1978), Camorra (1985), Sábado, Domingo e Segunda (1990), Ferdinando e Carolina (1999) e A Casa dos Gerânios (2004).


Jane Campion, pelo filme O Piano (1993) 

Mesmo depois de Wertmüller quebrar o tabu, ainda se passaram 17 anos até que uma segunda mulher fosse indicada ao Oscar de direção. No caso, a neozelandesa Jane Campion, que disputou em 1994 com O Piano, a história de uma mulher muda que nos anos 1850 é enviada à Nova Zelândia para um casamento arranjado.

Campion não ganhou o troféu de direção, que ficou para Steven Spielberg, por A Lista de Schindler (os demais indicados eram James Ivory, por Vestígios do Dia; Jim Sheridan, por Em Nome do Pai; e Robert Altman, por Short Cuts – Cenas da Vida). Mas a neozelandesa levou outro Oscar para casa: o de roteiro original. O Piano também venceu nas categorias de atriz, com Holly Hunter, e atriz coadjuvante, com Anna Paquin, que na época tinha apenas 11 anos. O longa ainda disputou os troféus de melhor filme, direção de fotografia, figurino e edição.

Campion voltaria a ser indicada em 2022 (veja abaixo), tornando-se a primeira mulher a concorrer mais de uma vez ao Oscar de direção. Outros trabalhos dela incluem Sweetie (1989), Um Anjo em Minha Mesa (1990), Retratos de uma Mulher (1996), Fogo Sagrado! (1999), Em Carne Viva (2003), O Brilho de uma Paixão (2009) e as duas temporadas da série Top of the Lake. Saiba mais sobre a carreira de Jane Campion.


Sofia Coppola, pelo filme Encontros e Desencontros (2003) 

Uma década depois de Campion, em 2004 a americana Sofia Coppola tornou-se a terceira mulher a concorrer ao Oscar de direção. Ela foi indicada por seu segundo longa, Encontros e Desencontros, estrelado por Bill Murray e Scarlett Johansson. No filme, dois americanos solitários e entediados – um homem de meia-idade e uma jovem mulher – veem seus caminhos se cruzarem durante uma viagem a Tóquio, no Japão.

Coppola não ganhou o Oscar de direção, que ficou para Peter Jackson, por O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (também concorriam Clint Eastwood, por Sobre Meninos e Lobos; Fernando Meirelles, por Cidade de Deus; e Peter Weir, por Mestre dos Mares). Mas ela ganhou o troféu de roteiro adaptado, e assim elevou para três o número de gerações de sua família que já levaram o prêmio da Academia. Antes dela, venceram seu pai, o diretor Francis Ford Coppola, e seu avô, o compositor Carmine Coppola.

Encontros e Desencontros disputou outros dois prêmios além de direção e roteiro adaptado: os de melhor filme e melhor ator. Desde então, Coppola, não voltou a ser indicada à estatueta. Outros trabalhos dela como diretora são As Virgens Suicidas (1999), Maria Antonieta (2006), Um Lugar Qualquer (2010), Bling Ring: A Gangue de Hollywood (2003), A Very Murray Christmas (2015), O Estranho que Nós Amamos (2017) e On The Rocks (2020). Ouça uma playlist inspirada na trilha sonora de seus filmes.


Kathryn Bigelow, pelo filme Guerra ao Terror (2008)

Foi apenas em 2010, na 82ª edição do Oscar, que o prêmio de direção finalmente foi entregue a uma mulher. Kathryn Bigelow fez história com Guerra ao Terror, que tornou-se o primeiro  longa-metragem dirigido por mulher a ganhar a estatueta de melhor filme. Como também atuou como produtora, Bigelow acabou levando os dois prêmios para casa.

Guerra ao Terror acompanha três soldados americanos que têm a missão de desarmar bombas durante a Guerra do Iraque. O filme venceu em outras quatro categorias (roteiro original, edição, mixagem e edição de som) e também disputou fotografia, trilha e ator (Jeremy Renner).

Na categoria de direção, Bigelow, que é americana, concorreu com James Cameron, por Avatar; Lee Daniels, por Preciosa; Jason Reitman, por Amor Sem Escalas; e Quentin Tarantino, por Bastardos InglóriosEla recebeu uma nova indicação ao Oscar em 2013, na categoria melhor filme, como uma das produtoras de A Hora Mais Escura (2012). Outros trabalhos incluem The Loveless (1981), Quando Chega a Escuridão (1987), Jogo Perverso (1989), Caçadores de Emoção (1991), Estranhos Prazeres (1995), O Peso da Água (2000), K-19: The Widowmaker (2002) e Detroit em Rebelião (2017). 


Greta Gerwig, pelo filme Lady Bird: A Hora de Voar (2017)

A celebração foi grande quando Bigelow ganhou o Oscar, mas não demorou a ficar claro que a igualdade de gênero continuava muito longe. Foram oito anos até que uma outra mulher disputasse o prêmio de direção – no caso, a americana Greta Gerwig, que concorreu com Lady Bird: A Hora de Voar. Também indicados estavam Christopher Nolan (Dunkirk), Jordan Peele (Corra!), Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma) e Guillermo del Toro (A Forma da Água), que ganhou o troféu. 

Até então, Gerwig era conhecida principalmente pelo trabalho como atriz e roteirista, tendo no currículo filmes como Hannah Sobe as Escadas (2007), Frances Ha (2012) e Mistress America (2015). Com Lady Bird, tornou-se a primeira mulher a concorrer nesta categoria por seu longa de estreia como diretora solo. Gerwig já tinha dirigido Nights and Weekends (2008), mas em parceria com Joe Swanberg.

Lady Bird narra um ano na vida de uma adolescente que, como a própria diretora, cresceu em Sacramento, na Califórnia. Além de direção, Gerwig também concorreu na categoria de roteiro original. O filme ainda recebeu indicações aos prêmios de melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).

Dois anos depois, em 2020, Gerwig disputou o Oscar na categoria de roteiro adaptado por Adoráveis Mulheres. O longa também foi indicado a melhor filme, mas ela não disputou melhor direção.


Chloé Zhao, pelo filme Nomadland (2020)

O ano de 2021 foi histórico para a categoria, que pela primeira vez indicou mais de uma mulher. Uma delas foi Chloé Zhao, a primeira chinesa e a primeira mulher não branca a concorrer e a ganhar o Oscar de direção. Nomadland também fez dela a mulher com mais indicações em um mesmo ano, já que disputou também nas categorias de roteiro adaptado, montagem e melhor filme – nesta última, venceu.

Zhao nasceu e foi criada na China, mas vive e trabalha nos Estados Unidos. Além de Nomadland, dirigiu os longas Songs My Brothers Taught Me (2015), Domando o Destino (2017) e Os Eternos (2021). Em Nomadland, conta a história de Fern (Frances McDormand), uma viúva que, em meio à recessão, deixa sua cidade e viver em uma van, trabalhando e viajando pelo oeste dos Estados Unidos. No total, o filme disputou seis Oscar – além dos quatro citados, atriz para McDormand (que venceu) e direção de fotografia para Joshua James Richards.


Emerald Fennell, pelo filme Bela Vingança (2020)

A outra diretora indicada em 2021 foi a inglesa Emerald Fennell, por Bela Vingança. Ela também concorreu a melhor filme e roteiro original, vencendo nesta última. Estrelado por Carey Mulligan, o filme conta a história de Cassandra, uma mulher traumatizada por um caso de estupro. No total, o filme recebeu cinco indicações – além das já citadas, atriz para Mulligan e edição para Frédéric Thoraval.

Bela Vingança é o primeiro longa-metragem de Fennel como diretora. Ela é conhecida pelo trabalho como atriz (interpretou, por exemplo, Camilla Shand na série The Crown) e roteirista, tendo trabalhado como escritora principal e produtora executiva de Killing Eve.


Jane Campion, pelo filme Ataque dos Cães (2021)

A segunda e histórica indicação de Campion ao Oscar de direção veio por Ataque dos Cães e finalmente lhe rendeu o prêmio, fazendo dela a terceira mulher a ser reconhecida na categoria. Ela disputou o troféu com Paul Thomas Anderson, por Licorice Pizza; Kenneth Branagh, por Belfast; Steven Spielberg, por Amor, Sublime Amor; e Ryûsuke Hamaguchi, por Drive My Car.

Campion também estava indicada ao troféu de melhor filme, porque era uma das produtoras, e ao de roteiro adaptado, já que escreveu o longa baseado no romance homônimo de Thomas Savage (1915-2003). Ataque dos Cães ainda disputou melhor ator (Cumberbatch), atriz coadjuvante (Dunst), ator coadjuvante (Plemons e Kodi Smit-McPhee), trilha sonora (Jonny Greenwood), edição (Peter Sciberras), design de produção (Grant Major & Amber Richards), som (Richard Flynn, Robert Mackenzie and Tara Webb), e direção de fotografia, que fez de Ari Wegner a segunda mulher a concorrer nesta categoria, depois de Rachel Morrison, em 2018. 

A trama do filme é centrada em Phil Burbank (Benedict Cumberbatch), um fazendeiro temido por todos ao seu redor. Um dia, seu irmão George (Jesse Plemons) decide se casar e levar a mulher, Rose (Kirsten Dunst), para viver na fazenda com eles. Phil, então, começa a atormentá-la.


Luísa Pécora é jornalista, criadora e editora do Mulher no Cinema.

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