Quem é Greta Gerwig, diretora de “Lady Bird” e “Adoráveis Mulheres”

Greta Gerwig volta aos cinemas nesta quinta-feira (9), com Adoráveis Mulheres, seu segundo trabalho solo como diretora depois de Lady Bird: A Hora de VoarTambém escrito por Gerwig, o novo longa é uma adaptação do clássico livro de Louisa May Alcott (1832-1888) sobre as irmãs Jo, Meg, Beth e Amy March.

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Como a protagonista de Lady Bird, Gerwig nasceu e foi criada em Sacramento, na Califórnia, frequentou uma escola católica e se mudou para Nova York para fazer faculdade. Sua intenção original era tornar-se dramaturga, um plano frustrado pelo fato de ter sido rejeitada em todos os programas de mestrado da área. Interessou-se, então, pela atuação, e ainda durante os estudos na faculdade de Barnard conseguiu um papel em LOL (2006), de Joel Swanberg, sua estreia em longa-metragem.

A parceria com Swanberg rendeu outros frutos. Primeiro, os dois escreveram Hanna Sobe as Escadas (2007), com Gerwig atuando e Swanberg dirigindo. Depois, ambos atuaram, escreveram e dirigiram Nights and Weekends (2008), o retrato de um relacionamento à distância. Por causa destes filmes – e também de outros, como Baghead (2008), dos irmãos Jay e Mark Duplass -, Gerwig ficou conhecida como a it girl do chamado “mumblecore”: um subgênero do cinema independente americano bastante popular no período, marcado pelo baixo orçamento e pela naturalidade dos diálogos e atuações.

Em 2010, Gerwig atuou em O Solteirão, seu primeiro trabalho com o diretor Noah Baumbach (com quem começou a namorar no ano seguinte). Contracenando com Ben Stiller e Jennifer Jason Leigh, a atriz manteve o estilo que desenvolvera até então. Na época, o crítico do New York Times A.O. Scott escreveu:

“Provavelmente sem ter essa intenção, Gerwig talvez seja a atriz definitiva de sua geração, um julgamento que ofereço com toda a sinceridade e certa ambivalência. Ela parece ter embarcado em um projeto, mesmo que muito modesto, de redefinir sobre o que falamos quando falamos sobre atuação. Parte da façanha dela é que, na maior parte do tempo, ela não parece estar atuando. A transparência de suas atuações tem menos a ver com uma técnica extremamente refinada do que com a aparente ausência de método. […] Ela é a embaixadora de um estilo cinematográfico que muitas vezes parece se opor à própria ideia de estilo.”

Após O Solteirão, Gerwig estrelou filmes como O Prato e a Colher (2011), de Alison Bagnall; Descobrindo o Amor (2001), de Whit Stillman; e Lola Versus (2012), de Daryl Wein, além de conseguir um papel em Para Roma, com Amor (2012), de Woody Allen. Mas foi sua segunda parceria com Baumbach, Frances Ha (2012), que lhe deu sua personagem mais conhecida.

Greta Gerwig em imagem do filme “Frances Ha”

No papel-título, ela é uma jovem que vive em Nova York e tem o sonho de ser dançarina, ainda que quase nada em sua vida caminhe em direção a isso. Gerwig escreveu o roteiro ao lado de Baumbach, mas, em entrevista à New York Times Magazine, contou que nem sempre os dois receberam o mesmo reconhecimento:

“Costumava me magoar muito quando as pessoas diziam: ‘Você ajudou a escrever o roteiro?’ E eu respondia: ‘Eu coescrevi, não ajudei a escrever.”

A dupla Gerwig-Baumbach lançou mais um filme, Mistress America (2015), sobre duas irmãs postiças de personalidades radicalmente diferentes que vivem aventuras em Nova York. Novamente, Gerwig e Baumbach escreveram juntos, para ela atuar e ele dirigir. Mas quando terminou o roteiro de Lady Bird (que no início se chamava Mothers and Daughters), a artista decidiu que era hora de assumir também o papel de diretora. À New York Times Magazine, ela disse:

“Pensei: ‘Sim, ainda há mais coisas para aprender. Mas você não vai continuar aprendendo sem fazer. Você só vai aprender a próxima parte se for em frente.’”

Lady Bird acompanha um ano na vida de Christine (Ronan), que está prestes a concluir o colegial e quer estudar em universidades nova-iorquinas, apesar do histórico escolar não exatamente excelente e das dificuldades financeiras de família. Como Frances Ha e Mistress America, o coração do filme está na relação de duas mulheres – no caso, Christine e sua mãe, Marion (Laurie Metcalf). “Esta é a história de amor central”, contou a diretora. “Não conheço uma mulher que não tenha uma relação complicada, louca e linda com a mãe.”

Com Lady Bird, Gerwig tornou-se a quinta mulher da história a ser indicada ao Oscar de direção, tendo sido indicada, também ao prêmio de roteiro originalLady Bird ainda foi indicado a atrizatriz coadjuvante e melhor filme – apenas o décimo terceiro longa-metragem dirigido por mulher a disputar na categoria. 

Greta Gerwig e o diretor de fotografia Yorick LeSaux no set de “Adoráveis Mulheres”

Antes de lançar Lady Bird, Gerwig foi contratada para escrever o roteiro de uma adaptação de Adoráveis Mulheres que estava sendo desenvolvida pela produtora Amy Pascal. Sucesso de vendas desde que foi publicada pela primeira vez, em 1868, a obra já fora levada ao cinema outras seis vezes entre 1917 e 2018, além de ter sido adaptada para peças de teatro, musicais, telefilmes, séries de televisão, óperas e animes.

Em entrevistas, Gerwig contou ter lido Adoráveis Mulheres várias vezes durante a adolescência, quando começou a se interessar pela escrita assim como a protagonista Jo March. Anos depois, quando releu a obra já adulta, sentiu que as palavras de Alcott, publicadas há tanto tempo e já tão conhecidas, tinham algo a dizer sobre os tempos atuais. Ela procurou Pascal e conseguiu ser escolhida para escrever o roteiro. Após o sucesso de Lady Bird, Gerwig foi também convidada a dirigir.

O roteiro de Gerwig usa muitas passagens e diálogos da obra original, mas também faz algumas mudanças importantes, como abandonar a estrutura cronológica dos acontecimentos e tornar o final da história mais atual. Sucesso de crítica, o filme foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Produtores e rendeu à Gerwig o prêmio de direção da National Society of Film Critics, uma das mais importantes associações de críticos dos Estados Unidos. O longa concorre a seis Oscars, incluindo melhor filme.

Veja o trailer de Adoráveis Mulheres:


Luísa Pécora é jornalista e criadora do Mulher no Cinema

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