Conheça todas as mulheres que já foram indicadas ao Oscar de melhor direção

Quem ainda duvida de que a desigualdade de gênero seja uma realidade no Oscar só precisa olhar para a categoria de direção para mudar de ideia. Os números, aqui, são bem claros: nos 90 anos em que a premiação existe, apenas cinco mulheres foram indicadas ao prêmio – e apenas uma ganhou.

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Das cinco diretoras indicadas, nenhuma é negra ou latino-americana. Além disso, duas delas não nasceram nos Estados Unidos e apenas uma concorreu ao prêmio de direção sem ser também autora do roteiro de seu filme.

Aproveitando que Greta Gerwig está na disputa deste ano, a reportagem do Mulher no Cinema decidiu relembrar todas as profissionais que já foram indicadas na categoria em toda a história do Oscar. Confira:


Lina Wertmüller no set de “Pasqualino Sete Belezas”
Foto: Reprodução

Lina Wertmüller, por Pasqualino Sete Belezas (1975)

Quarenta e oito edições do Oscar se passaram até que a primeira mulher fosse indicada ao prêmio de direção, em 1977. Coube à diretora italiana Lina Wertmüller entrar para a história da premiação com seu Pasqualino Sete Belezas, que mistura drama e humor para contar a história de um desertor italiano que é capturado por soldados alemães durante a Segunda Guerra (1939-1945).

A cineasta concorreu com Alan J. Pakula, de Todos os Homens do Presidente; Ingmar Bergman, por Face a Face; Sidney Lumet, por Rede de Intrigas; e John G. Avildsen, por Rocky: Um Lutador, ganhador do prêmio.

Até agora, ela é a única mulher a ter disputado o prêmio de direção sem que seu longa-metragem tenha sido indicado na categoria de melhor filme. Pasqualino Sete Belezas também concorreu a outros três troféus: filme estrangeiro (representando a Itália), ator para Giancarlo Giannini e roteiro original para a própria Wertmüller.

A italiana, que hoje tem 89 anos, não voltou a ser indicada. Outros de seus trabalhos como diretora incluem E Agora Falamos de Homens (1965), Mimi, o Metalúrgico (1972), Amor e Anarquia (1973), Por um Destino Insólito (1974), Amor e Ciúme (1978), Camorra (1985), Sábado, Domingo e Segunda (1990), Ferdinando e Carolina (1999) e A Casa dos Gerânios (2004).


Holly Hunter, Anna Paquin e Jane Campion no Oscar 1994
Foto: A.M.P.A.S.

Jane Campion, por O Piano (1993) 

Mesmo depois de Wertmüller quebrar o tabu, ainda se passaram 17 anos até que uma segunda mulher fosse indicada ao Oscar de direção. No caso, a neozelandesa Jane Campion, que disputou em 1994 com O Piano, a história de uma mulher muda que nos anos 1850 é enviada à Nova Zelândia para um casamento arranjado.

Campion não ganhou o troféu de direção, que ficou para Steven Spielberg, por A Lista de Schindler (os demais indicados eram James Ivory, por Vestígios do Dia; Jim Sheridan, por Em Nome do Pai; e Robert Altman, por Short Cuts – Cenas da Vida). Mas a neozelandesa levou um outro Oscar para casa: o de roteiro original.

O Piano também venceu nas categorias de melhor atriz, com Holly Hunter, e atriz coadjuvante, com Anna Paquin, que na época tinha apenas 11 anos. O longa ainda disputou os troféus de melhor filme, direção de fotografia, figurino e edição.

Esta foi a única vez que Campion, 63 anos, concorreu ao Oscar. Outros trabalhos dela como diretora incluem Sweetie (1989), Um Anjo em Minha Mesa (1990), Retratos de uma Mulher (1996), Fogo Sagrado! (1999), Em Carne Viva (2003), O Brilho de uma Paixão (2009) e as duas temporadas da série Top of the Lake.


Sofia Coppola no Oscar 2004
Foto: J. Vespa/WireImage

Sofia Coppola, por Encontros e Desencontros (2003) 

Uma década depois de Campion, em 2004 a americana Sofia Coppola tornou-se a terceira mulher a concorrer ao Oscar de direção. Ela foi indicada por seu segundo longa-metragem, Encontros e Desencontros, estrelado por Bill Murray e Scarlett Johansson.

No filme, dois americanos solitários e entediados – um homem de meia-idade e uma jovem mulher – veem seus caminhos se cruzarem durante uma viagem a Tóquio.

Coppola não ganhou o Oscar de direção, que ficou para Peter Jackson, por O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (também concorriam Clint Eastwood, por Sobre Meninos e Lobos; Fernando Meirelles, por Cidade de Deus; e Peter Weir, por Mestre dos Mares).

Mas ela ficou com o prêmio de roteiro adaptado, representando a terceira geração de sua família a ganhar um Oscar, depois de seu pai, o diretor Francis Ford Coppola, e de seu avô, o compositor Carmine Coppola.

Encontros e Desencontros disputou outros dois prêmios além de direção e roteiro adaptado: os de melhor filme e melhor ator. Desde então, Coppola, 46 anos, não voltou a ser indicada à estatueta. Outros trabalhos dela como diretora são As Virgens Suicidas (1999), Maria Antonieta (2006), Um Lugar Qualquer (2010), Bling Ring: A Gangue de Hollywood (2003), A Very Murray Christmas (2015) e O Estranho que Nós Amamos (2017).


Kathryn Bigelow no Oscar 2010
Foto: Divulgação/A.M.P.A.S.

Kathryn Bigelow, por Guerra ao Terror (2008)

Foi apenas em 2010, na 82ª edição do Oscar, que o prêmio de direção finalmente foi entregue a uma mulher.

Kathryn Bigelow fez história com Guerra ao Terror, que tornou-se o primeiro (e até agora único) longa-metragem dirigido por mulher a ganhar a estatueta de melhor filme. Como também atuou como produtora, Bigelow acabou levando os dois prêmios para casa.

Guerra ao Terror acompanha três soldados americanos que têm a missão de desarmar bombas durante a Guerra do Iraque. O filme venceu em outras quatro categorias (roteiro original, edição, mixagem e edição de som) e também disputou fotografia, trilha e ator (Jeremy Renner).

Na categoria de direção, Bigelow, que é americana e tem 66 anos, concorreu com James Cameron, por Avatar; Lee Daniels, por Preciosa; Jason Reitman, por Amor Sem Escalas; e Quentin Tarantino, por Bastardos Inglórios.

Ela recebeu uma nova indicação ao Oscar em 2013, na categoria melhor filme, como uma das produtoras de A Hora Mais Escura (2012). Outros trabalhos incluem The Loveless (1981), Quando Chega a Escuridão (1987), Jogo Perverso (1989), Caçadores de Emoção (1991), Estranhos Prazeres (1995), O Peso da Água (2000), K-19: The Widowmaker (2002) e Detroit em Rebelião (2017). Veja o discurso de Bigelow ao receber o Oscar de direção:


Greta Gerwig no set de “Lady Bird: A Hora de Voar”
Foto: Divulgação

Greta Gerwig, por Lady Bird: A Hora de Voar (2017)

A celebração foi grande quando Bigelow ganhou o Oscar, mas não demorou a ficar claro que a igualdade de gênero no cinema continuava muito longe.

Foram oito anos até que uma outra mulher disputasse o prêmio de direção – no caso, a americana Greta Gerwig, 34, que concorreu com Lady Bird: A Hora de Voar. Também indicados estavam Christopher Nolan (Dunkirk), Jordan Peele (Corra!), Paul Thomas Anderson (Trama Fantasma) e Guillermo del Toro (A Forma da Água), que ganhou o troféu.

Até então, Gerwig era conhecida principalmente pelo trabalho como atriz e roteirista, tendo no currículo filmes como Hannah Sobe as Escadas (2007), Frances Ha (2012) e Mistress America (2015). Com Lady Bird, torna-se a primeira mulher a concorrer por seu longa de estreia como diretora solo.

Gerwig já tinha dirigido Nights and Weekends (2008), mas em parceria com Joe Swanberg. Agora, em Lady Bird, narra um ano na vida de uma adolescente que, como a própria diretora, cresceu em Sacramento, na Califórnia. Além de direção, Gerwig também concorreu na categoria de roteiro adaptado. O filme ainda recebeu indicações aos prêmios de melhor atriz (Saoirse Ronan) e melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf).


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Luísa Pécora é jornalista, criadora e editora do Mulher no Cinema.

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