Diretora Lina Wertmüller receberá Oscar honorário

A primeira mulher a concorrer ao Oscar de direção finalmente levará uma estatueta para casa: a cineasta italiana Lina Wertmüller, 90 anos, será homenageada com um Oscar honorário, anunciou a Academia nesta segunda-feira (3). Este troféu especial reconhece “uma obra de distinção extraordinária e contribuições excepcionais às artes e ciências cinematográficas”.

Saiba mais: Conheça todas as mulheres que já concorreram ao Oscar de direção
Vídeo: Veja o discurso de Agnès Varda ao receber o Oscar honorário
Apoie: Colabore com o Mulher no Cinema e acesse conteúdo exclusivo

Os artistas que recebem os prêmios honorários são escolhidos anualmente em votação do conselho diretor da Academia. A entrega acontece em uma cerimônia em outubro, e, neste ano, os outros dois Oscars honorários serão entregues ao diretor americano David Lynch e ao ator americano cherokee Wes Studi. Já a atriz americana Geena Davis receberá o Jean Hersholt Humanitarian Award, prêmio que reconhece o trabalho humanitário dos artistas. Ela é fundadora do Geena Davis Institute, uma das mais importantes organizações do mundo que trabalham pela igualdade de gênero no cinema.

Nascida em Roma em 1928, Wertmüller tem uma obra extensa, irreverente e marcada por questões políticas e sociais. Ela é a segunda diretora da história a ganhar o Oscar honorário, depois de Agnès Varda (1928-2019) em 2017 (veja ou leia o discurso de Varda na ocasião).

Em 1977, tornou-se a primeira mulher a disputar o Oscar de direção com seu Pasqualino Sete Belezas, perdendo a estatueta para John G. Avildsen, de Rocky: Um Lutador. O filme, um clássico do cinema italiano, mistura drama e humor para contar a história de um desertor italiano que é capturado por soldados alemães durante a Segunda Guerra (1939-1945). No Oscar daquele ano, concorreu a outros três troféus: filme estrangeiro, ator para Giancarlo Giannini e roteiro original para a própria Wertmüller.

A cineasta italiana nunca mais foi indicada ao Oscar, mas fez vários outros trabalhos no cinema, incluindo E Agora Falamos de Homens (1965), Mimi, o Metalúrgico (1972), Amor e Anarquia (1973), Por um Destino Insólito (1974), Amor e Ciúme (1978), Camorra (1985), Sábado, Domingo e Segunda (1990), Ferdinando e Carolina (1999) e A Casa dos Gerânios (2004). Seu filme mais recente é o curta documental Roma, Napoli, Venezia…in un crescendo rossiniano, de 2014.


Luísa Pécora é jornalista, criadora e editora do Mulher no Cinema

Deixe um comentário

Top