10 filmes para conhecer o cinema de Agnès Varda

Nome fundamental da nouvelle vague, cineasta influente na ficção e no documentário, única mulher a ganhar a Palma de Ouro honorária, primeira diretora a ganhar o Oscar pelo conjunto da obra. Estes são apenas algumas das muitas formas de tentar definir a carreira da belga Agnès Varda, que completa 90 anos nesta quarta-feira (30).

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Mas o que pode definir melhor o trabalho da cineasta do que seus próprios filmes? Para celebrar o aniversário de Agnès Varda, Mulher no Cinema reuniu dez longas-metragens que marcaram seus 60 anos de carreira. E se estes dez títulos não bastam para resumir uma produção tão vasta, funcionam como uma bela porta de entrada para quem quer conhecer a obra de uma das mais importantes artistas da história do cinema. Confira:


le pointe courte“La Pointe Courte”
[França, 1954]
Um jovem casal visita a vila litorânea de La Pointe Courte, na França, enquanto tenta resolver os seus problemas e lidar com as mudanças que afeta o relacionamento. Aclamado como um dos precursores da nouvelle vague, um dos mais importantes movimentos cinematográficos, o filme é estrelado por Philippe Noiret e Silvia Monfort.


cleo das 5 as 7“Cléo das 5 às 7”
[Cléo de 5 à 7, França, 1962]
Seriamente preocupada com a possibilidade de ter câncer, a cantora Cléo aguarda o resultado de uma biópsia. Durante duas horas, das cinco da tarde às sete da noite, ela anda pelas ruas de Paris, conversa em cafés e tenta encontrar algum tipo de paz antes de buscar os exames. Estrelado pela atriz Corinne Marchand.


as duas faces da felicidade“As Duas Faces da Felicidade”
[Le bonheur, França, 1965]
François é um jovem carpinteiro que parece levar uma vida perfeita ao lado da mulher e dos filhos. Seus dias se dividem entre o trabalho na marcenaria, piqueniques no campo e momentos tranquilos em casa. Mas tudo muda quando ele conhece Emilie, uma funcionária dos correios. Ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim.


uma canta a outra nao“Uma Canta, a Outra Não”
[L’Une Chante, L’autre pas, França, 1977]
Na Paris do início dos anos 1960, duas mulheres se tornam amigas: Pomme, aspirante a cantora, e Suzanne, que está grávida e não tem condições de manter um terceiro filho. Pomme empresta a Suzanne o dinheiro para um aborto ilegal e as duas perdem contato. Após mais de uma década, elas se encontram em uma manifestação.


renegados“Os Renegados”
[Sans toit ni loi, França, 1985]
Durante um rigoroso inverno, o corpo de uma jovem é encontrado congelado em um fosso no sul da França. Por meio de flashbacks e entrevistas, o filme revela os eventos que levaram à trágica morte da garota. Ganhador do Leão de Ouro e também do Prêmio da Crítica no Festival de Veneza. Estrelado pela atriz Sandrine Bonnaire.


jane b par agnes v“Jane B. por Agnès V.”
[Jane B. par Agnès V., França, 1987]
Distanciando-se do formato tradicional das biografias cinematográficas, a diretora constrói Jane B. por Agnès V. como um caleidoscópico de fragmentos de momentos diversos. Nestes fragmentos, a atriz, cantora e ícone fashion Jane Birkin, na época completando 40 anos, interpreta diferentes personagens e, também, a si mesma.


jacquot“Jacquot de Nantes”
[França, 1991]
Uma evocação à infância do diretor e roteirista francês Jacques Demy (1931-1990), com quem Agnès Varda foi casada durante quase três décadas. O filme mostra a crescente fascinação do jovem Demy por todo tipo de espetáculo, as descobertas ao entrar em contato com a primeira câmera e sua vocação para o cinema e para os musicais.


“Os Catadores e Eu”
[Les glaneurs et la glaneuse, França, 2000]
Neste documentário, Agnès Varda compõe um retrato da sociedade francesa viajando pelo país para entrevistar e retratar a vida de diferentes tipos de catadores – dos que trabalham no campo retirando o que sobrou após a colheita aos que atuam nas ruas de Paris em busca do que foi descartado por outras pessoas.


“As Praias de Agnès”
[Les plages d’Agnès, França, 2018]
Uma autobiografia de Agnès Varda no momento em que ela completa 80 anos. A diretora conta sua história e explora suas memórias usando uma variedade de materiais e formatos: fotografias, cenas de filmes, entrevistas, encenações e mais. Premiado como melhor documentário no César, considerado o Oscar do cinema francês.


visages villages“Visages, Villages”
[França, 2017]
Agnès Varda e JR têm em comum a paixão por imagens e o questionamento sobre como são compartilhadas. Agnès escolheu o cinema; JR escolheu criar galerias ao ar livre. A bordo do caminhão fotográfico de JR, eles viajam pela França fazendo retratos e ouvindo histórias. Indicado ao Oscar de documentário.


Luísa Pécora é jornalista e criadora do Mulher no Cinema.

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