Começando meu #52FilmsByWomen com Salomé Lamas

Sinto-me imensamente honrada em participar da campanha #52FilmsByWomen para o Mulher no Cinema, à convite da Luísa Pécora. Ainda mais depois da amiga Beatriz Macruz, que também tanto entende do assunto e luta pela divulgação de filmes que merecem ser vistos e falados.

Como jornalista, sempre me interessei mais em entrevistar atrizes do que atores, cantoras do que cantores, escritoras do que escritores, diretoras do que diretores… E desde que comecei a me dedicar à revista Ovelha, há uns dois anos, tenho como prioridade investigar o trabalho feito por mulheres em suas áreas. Por isso essa campanha de escolher e assistir a um filme dirigido por mulher toda semana durante um ano é um desafio que amo fazer.

Os filmes feitos por mulheres nem sempre estão ali, estreando na sala de cinema mais próxima de você. É preciso correr atrás deles e fazer o “boca a boca.” Anna Muylaert e o seu Que Horas Ela Volta?, por exemplo, são a prova: foi necessário um falatório para o filme conquistar mais salas de exibição no Brasil todo.

Ir além dos 52 filmes escolhidos pela Bia também será um desafio. Que lista! Diretoras de várias nacionalidades – algumas mais famosas, como a americana Sofia Coppola e a neozelandesa Jane Campion, e muitas outras que eu desconhecia, como a iraniana Samira Makhmalbaf e a senegalesa Safi Faye.

Troquei São Paulo por Lisboa faz seis meses e essa mudança já me influencia. Cadê as diretoras portuguesas? Estou caçando essas mulheres por aqui como se não houvesse amanhã. Por isso o meu primeiro filme da campanha #52FilmsByWomen é Eldorado XXI, da portuga Salomé Lamas.

Salomé Lamas nasceu em Lisboa, em 1987. É cineasta e artista visual. O documentário Eldorado XXI é de 2016, mas estreou agora em fevereiro em pouquíssimas salas de Portugal, ao mesmo tempo em que seu primeiro curta-metragem de ficção, Coup de Grâce, competiu no 67º Festival de Berlim.

Em Eldorado XXI, Salomé foi aos Andes peruanos para filmar a comunidade mineira de La Rinconada y Cerro Lunar, onde milhares de pessoas procuram ouro ou minerais menos valiosos a 5,5 mil metros de altitude e muito vento, neve e chuva.

É um documentário visualmente belo mas sem beleza alguma para retratar. O que encontramos lá é a realidade pobre e violenta dos peruanos que precisam sobreviver de algum modo, mesmo que seja o último modo. Também é um filme feminista ao destacar as “pallanqueras”, como são conhecidas as mulheres que trabalham nas minas, e mostrar como elas se organizam. Há uma cena que me tocou muito, na qual quatro delas conversam sobre política, saúde e trabalho como quatro amigas fariam em outra situação íntima.

Para saber mais sobre esse documentário, recomendo a leitura de duas reportagens no Jornal Público e no Observador.


* Letícia Mendes é jornalista e aceitou nosso convite para aderir à campanha #52FilmsByWomen. Ela vai assistir a um filme dirigido por mulher toda semana durante um ano e dividir a experiência com a gente. Os títulos são revelados sempre às segundas-feiras no Facebook, Twitter e Instagram. Clique aqui para saber mais.

2 thoughts on “Começando meu #52FilmsByWomen com Salomé Lamas

    1. Oi, Suzana. O filme passou no Brasil no ano passado, mas ainda não estreou no circuito comercial. Estamos tentando descobrir a data para te passar. Os filmes da próxima semana serão mais fáceis de achar. Abraço e obrigada!

Deixe um comentário

Top