Morre Vera de Figueiredo, pioneira diretora de “Feminino Plural”

A cineasta brasileira Vera de Figueiredo, diretora do pioneiro filme Feminino Plural (1976), morreu no último sábado (8), aos 90 anos. A notícia foi dada por sua filha, a atriz Angela Figueiredo, em suas redes sociais.

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Também diretora e roteirista de Samba da Criação do Mundo (1979) e Amazônia como Metáfora (1992), Vera de Figueiredo nasceu no Rio de Janeiro, e além de cineasta era arquiteta, urbanista, artista plástica e designer.

A carreira no cinema começou com filmes em Super-8 e com o curta Artesanato do Samba (1974), que dirigiu em parceria com Zózimo Bulbul (1937-2013). Nos anos 1960 e 1970, vivendo nos Estados Unidos e na França, Figueiredo entrou em contato com o movimento feminista e leu obras como Sexual Politics, de Kate Millett.

Estas leituras e experiências influenciaram Feminino Plural, que é considerado um dos primeiros filmes feministas a serem realizados do Brasil. “Achava que a gente tinha de trazer [essa discussão] para mobilizar o País, para a gente andar para a frente”, definiu a cineasta em entrevista que concedeu a esta jornalista em março de 2023, e que foi publicada no site do Itaú Cultural.

Imagem do filme “Feminino Plural”, de Vera de Figueiredo – Foto: Divulgação

Feminino Plural não segue narrativa linear, construindo-se a partir de diferentes situações vividas por múltiplas personagens, e incorporando elementos oníricos e de performance. “Há uma grávida, uma velha, uma jovem, uma negra, uma descendente de índio, e cada uma delas tinha sido reprimida”, afirmou a diretora, na mesma entrevista. “Isso era o mais importante: essas mulheres não traziam tudo o que elas eram. Havia uma mágoa, uma vontade de dizer. Estávamos todas explodindo.” 

Na época do lançamento, Feminino Plural circulou pouco no Brasil, apesar de ter sido exibido em festivais internacionais e conseguido distribuição comercial na França. De acordo com Figueiredo, o longa começou a ser redescoberto em 2002, quando foi exibido pela antiga TVE, hoje TV Brasil. Vinte anos mais tarde, em 2022, foi escolhido como filme de abertura do Cabíria, festival dedicado ao cinema feito por mulheres.

Atualmente, Feminino Plural pode ser visto na Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita do Itaú Cultural, e na mostra Léa Garcia – 90 anos, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (SP). A exibição será em 20 de junho, às 18h.

Na entrevista concedida no ano passado, Vera de Figueiredo se mostrou otimista em relação ao futuro. “O feminismo é uma revolução, é a grande mudança”, afirmou. “E, nesse sentido, tenho o prazer de ter colaborado, de ter deixado uma obra que não foi entendida na época, mas agora está sendo.”

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