“Rafiki”: conheça o filme que fez história em Cannes e foi banido no Quênia

Com mulheres em frente e por trás das câmeras, o drama queniano Rafiki fez história no principal festival de cinema do mundo, foi banido em seu país de origem e conquistou plateias por toda parte. Agora, o longa de Wanuri Kahiu chega à programação do Telecine, e pode ser visto pelo direto na internet – clicando aqui.

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Rafiki conta a história de duas garotas quenianas, Kena e Ziki, interpretadas pelas jovens atrizes Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva. Apesar da rivalidade entre suas famílias, elas tornam-se grande amigas e se ajudam na busca por seus sonhos. Quando a amizade se transforma em amor, Kena e Ziki têm de enfrentar os preconceitos de uma sociedade profundamente conservadora.

Para marcar a estreia de Rafiki  no catálogo do Telecine, reunimos curiosidades – sem spoilers! – sobre os bastidores da produção e a equipe do filme. Confira:

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Rafiki foi inspirado em um conto
Também autora do roteiro de Rafiki, Wanuri Kahiu encontrou inspiração no conto Jambula Tree, escrito pela autora ugandense Monica Arac de Nyeko. Originalmente, a história se passava em Kampala, na Uganda, mas Kahiu adaptou a história para Nairóbi, no Quênia, onde o longa foi rodado.

Wanuri Kahiu, Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva em Cannes – Foto: Loic Venance/Getty

O filme levou seis anos para ficar pronto
A história de Rafiki começou em 2012, quando Kahiu participou de um workshop para desenvolver o roteiro. A partir daí, ela apresentou o projeto a centenas de pessoas até conseguir 30 financiadores internacionais e seis empresas coprodutoras (a principal é a sul-africana Big World Cinema). A pré-produção começou em dezembro de 2016 e as gravações foram feitas no ano seguinte, durante um mês. Com exceção de quatro pessoas, toda a equipe foi formada por profissionais quenianos.

O filme fez sua estreia mundial em Cannes
A seleção de Rafiki para a edição de 2018 do Festival de Cannes representou a primeira vez que um filme queniano fez parte da programação oficial em todos os 71 anos do evento. Rafiki competiu na mostra Um Certo Olhar, a segunda mais importante do festival.

Rafiki foi banido pelo governo do Quênia
Apesar do sucesso em Cannes, a equipe teve grande dificuldade para conseguir exibir Rafiki no Quênia, onde sexo gay é punido com até 14 anos de prisão. Quando Kahiu se recusou a fazer alterações no filme, o governo proibiu a estreia, alegando como justificativa “temática homossexual e clara intenção em promover o lesbianismo”. A decisão foi além, dizendo que qualquer pessoa que portasse o filme estaria infringindo as leis do país. Na justiça, a diretora conseguiu que Rafiki  fosse exibido por sete dias nos cinemas, período necessário para poder representar o Quênia na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro. No entanto, o país não indicou o filme para a Academia como seu candidato.

As protagonistas não tinham experiência no cinema
Tanto Samantha Mugatsia, que interpreta Kena, quando Sheila Munyiva, que vive Ziki, são quenianas e tinham pouca ou nenhuma experiência como atrizes. Samantha trabalhava como artista visual, DJ e baterista em vários grupos musicais, incluindo o Yellow Light Machine. Sheila estudou cinema na faculdade, mas tinha feito poucos trabalhos como atriz e nenhum deles no cinema. Ela também está traçando uma carreira por trás das câmeras: dirigiu comerciais e trabalha em seu primeiro curta-metragem.

Wanuri Kahiu dirige a atriz Sheila Munyiva no set de Rafiki – Foto: Divulgação

“Rafiki” quer dizer “amiga”
A palavra que dá título ao filme significa “amiga” na língua suaíli, um dos idiomas oficiais do Quênia. De acordo com o material enviado pela produção de Rafiki à imprensa, a palavra é usada por muitos homossexuais como alternativa em situações em que não podem dizer parceiro(a), amante, namorado(a), mulher ou marido.

Wanuri Kahiu criou uma versão do teste de Bechdel
A diretora de Rafiki integra o AfroBubbleGum, movimento que cria “arte africana vibrante e leve”. Em uma palestra no TED Talks ela propôs o teste do AfroBubbleGum, uma versão do teste de Bechdel (que mede a representação feminina nas telas). Para passar no teste do AfroBubbleGum, o filme precisa responder positivamente a pelo menos duas destas perguntas: Há dois ou mais personagens africanos saudáveis? Eles são financeiramente estáveis (e não precisam ser salvos)? Eles estão se divertindo e aproveitando a vida?. Ao site da NPR ela também falou sobre a necessidade de uma representação mais diversa do continente: “Precisamos mostrar imagens de africanos que não estão doentes, não precisam ser salvos e levam uma vida africana alegre.”

A diretora de Rafiki vai estrear em Hollywood
Wanuri Kahiu chamou a atenção da indústria cinematográfica americana com Rafiki, e agora e vai dirigir The Thing About Jellyfish, adaptação para o cinema do romance Suzy e as Águas-Vivas, de Ali Benjamin. O filme será produzido por Reese Witherspoon e estrelado por Millie Bobby Brown, da série Stranger Things.


* Este texto foi produzido pelo Mulher no Cinema e patrocinado pelo Telecine.

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