10 filmes para celebrar a carreira de Chantal Akerman

“Existem cineastas bons, cineastas ótimos, cineastas que estão na história do cinema. E existem alguns poucos cineastas que mudaram a história do cinema”

A frase é de Nicola Mazzanti, chefe do Royal Belgian Film Archive, sobre Chantal Akerman, que morreu nesta semana, aos 65 anos. A triste notícia pegou a todos de surpresa e provocou uma série de tributos à diretora belga, pioneira do cinema experimental e feminista.

Mulher no Cinema presta sua homenagem lembrando alguns dos filmes que marcaram a carreira da diretora:


Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles“Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles” (1975)
Considerado um dos filmes mais audaciosos do cinema (é sobre ele o comentário que abre esse texto), estreou quando Akerman tinha 25 anos. Acompanha a rotina de uma mulher, interpretada por Delphine Seyrig, que faz tarefas em casa e recebe dinheiro por sexo. Na revista “New Yorker”, o crítico Richard Brody escreveu:

“Akerman apresentou imagens monumentalmente compostas e meticulosamente observadas da rotina doméstica de uma mulher […] Estas imagens provam cinematograficamente que as vidas domésticas das mulheres são arte; que as vidas privadas das mulheres são devastadas pela história tanto quanto as vidas no palco público da política; que a pressão do confinamento inquestionável e incontestável das mulheres ao âmbito doméstico e aos papéis familiares é uma loucura social que leva à ruína, é uma forma de violência que gera violência.”


“Je, Tu, Il, Elle” (1976)
Julie, interpretada pela própria diretora, é uma jovem que se confina em sua casa, arrumando o quarto, escrevendo cartas e comendo açúcar. Certo dia, decide sair para encontrar a ex-namorada.


“News From Home” (1977)
Um retrato do período que Akerman passou em Nova York, combina imagens de diferentes pontos da cidade à leitura de cartaz escritas pela mãe da diretora, na Bélgica.


“Une Jour Pina a Demandé…” (1983)
Documentário que acompanha a coreógrafa Pina Baush e sua companhia de dança durante uma turnê de cinco semanas pelas Europa.


Um Sofá em Nova York“Um Divã em Nova York” (1996)
Filme mais comercial da diretora, conta a história de um analista nova-iorquino e uma jovem parisiense que, sem se conhecer, trocam de casa. Os protagonistas são Juliette Binoche e William Hurt.


Sud“Sud” (1999)
Um olhar sobre a região sul dos Estados Unidos a partir de um crime motivado por racismo: o assassinato de James Byrd Jr., homem negro que foi espancado e arrastado pelo asfalto em Jasper, Texas.


“La Captive” (2000)
Uma adaptação da obra de Proust, um dos autores que mais marcaram Akerman. Ambientado em Paris, o filme mostra a relação intensa entre Ariane e Simon, um homem extremamente ciumento.


A Loucura de Almayer“A Loucura de Almayer” (2011)
Outra adaptação, desta vez do livro escrito por Joseph Conrad. Akerman passou a narrativa dos anos 1890 para os 1950, contando a história de um ambicioso comerciante holandês na Malásia e sua relação com a filha, Nina.


No Home Movie“No Home Movie” (2015)
O último filme de Akerman é um documentário sobre o relacionamento com a mãe, que morreu no ano passado. Sobrevivente de Auschwitz, ela teve uma profunda influência no trabalho da filha. “No Home Movie” está na programação do Festival do Rio (clique aqui para ver os horários e locais de exibição).

2 thoughts on “10 filmes para celebrar a carreira de Chantal Akerman

Deixe um comentário

Top