Crítica: “Uma Nova Amiga”, dirigido por François Ozon

Dirigido por François Ozon e em cartaz no Brasil, “Uma Nova Amiga” é um filme para os tempos de Caitlyn Jenner, Laverne Cox, “Transparent” e “Tangerine”. Ou seja: é um filme para o nosso tempo, no qual os transexuais conquistam mais espaço na mídia, na arte e na discussão sobre igualdade de direitos.

Livremente baseada em um conto de Ruth Rendel, a história começa com a morte de Laura (Isild Le Besco), amiga inseparável de Claire (Anaïs Demoustier). As duas acompanharam todas as fases da vida da outra: a escola, as noitadas, os amores, os casamentos.

Mesmo abalada, Claire promete cuidar do marido de Laura, David (Romain Duris), e da filha do casal, Lucie. Quando vai visitá-los de surpresa, encontra a criança nos braços de alguém com vestido florido e peruca loira. É David, que revela ter voltado a um hábito que tinha antes do casamento: se vestir de mulher.

Claire se divide entre a repreensão (“você é um pervertido”) e a curiosidade por Virginia, nome escolhido por ela e assumido pelo novo David. Entre compras, passeios e viagens, ela tenta entender o fascínio pela nova amiga: será uma forma de suprir a ausência de Laura ou será que está apaixonada? E por David ou por Virginia?

É um prato cheio para que Ozon explore questões ligadas à sexualidade, como fez em outros filmes. Aqui, a trama é cheia de idas e vindas, que acompanham os desejos e as descobertas do personagens. Há um quê de Pedro Almodóvar em “Uma Nova Amiga”, sobretudo na parte final, onde o melodrama toma conta.

Bem mais interessante, porém, é o restante do filme, quando Ozon mostra a relação de Claire e Virginia com naturalidade e bom humor. Em muitos sentidos, o longa se beneficia do equilíbrio: mostra o prazer de David ao se vestir como mulher, mas não ignora as dificuldades da transição; faz rir com o embaraço de algumas situações, mas não descamba para o pastelão ou o desrespeito.

O equilíbrio também vem das excelentes atuações de Demoustier e Duris, em papéis difíceis e distintos: Claire é tímida e parece estar sempre se escondendo, Virginia é extravagante e gosta de ser notada. Difícil escolher uma favorita.

“Uma Nova Amiga”
[Une Nouvelle Amie, França, 2014]
Direção: François Ozon
Elenco: Anaïs Demoustier, Romain Duris, Raphaël Personnaz
Duração: 108 minutos

2 thoughts on “Crítica: “Uma Nova Amiga”, dirigido por François Ozon

  1. Oi, Lui!
    Tava curiosa sobre esse filme pq gosto mto daquele “Angel”
    Ah, você disse que tem um quê de Pedro Almodóvar em “Uma Nova Amiga”, sabia que o “Carne Trêmula” é uma adaptação de uma história da mesma Ruth Rendell
    Bjão!

    1. Oi, Gabi!
      A coisa do Almodóvar então se liga super. Nem sempre gosto do Ozon (não vi
      “Angel”), mas gostei deste. E a atriz é um charme.
      Depois me conta!

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