7 motivos para ver “Mercado de Capitais”

“Eu gosto de dinheiro. Fico realmente satisfeita com o fato de que finalmente as mulheres podem falar abertamente sobre ambição. Dinheiro não tem de ser uma palavra feia. Podemos gostar dele.”

Esta declaração, feita logo no começo de Mercado de Capitais, dá o tom do que o espectador encontrará pela frente: um filme sobre Wall Street que coloca as mulheres no centro da história, e que não hesita em mostrá-las como ambiciosas, autoritárias, em busca de muito dinheiro e com sede de poder.

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Mercado de Capitais – uma tradução pouco inspirada para o título original, Equity -, conta a história de Naomi Bishop, dona de um alto cargo em um banco de investimentos americano. A caminho do topo da escada corporativa, ela espera por uma promoção que não chega. “Não parece que é seu ano”, diz o chefe. “As pessoas não gostam muito do seu jeito.”

Naomi planeja conquistar seu espaço fechando um negócio espetacular: com a ajuda da assistente, Erin, ela vai atrás de um controverso IPO (Oferta Pública Inicial, na sigla em inglês, o meio pelo qual uma empresa particular é vendida ao público), enquanto tem de lidar com investigações de fraude lideradas por uma procuradora.

Aproveitando que Mercado de Capitais está na programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Mulher no Cinema listou sete motivos pelos quais vale a pena comprar seu ingresso:

Você nunca viu tantas mulheres em um filme sobre o mercado financeiro.
Mulheres costumam ser coadjuvantes – quando não apenas enfeites – em longas do gênero. É o caso, por exemplo, de sucessos recentes como A Grande Aposta (2015) e O Lobo de Wall Street (2013). Mesmo entre as comédias, é preciso voltar a filmes como O Sócio, lançado em 1996, e Uma Secretária de Futuro, de 1988, para encontrar protagonistas femininas. Mercado de Capitais, por sua vez, tem personagens bem desenvolvidas e que ficam em cena quase o tempo todo.

A diretora Meera Menon é apenas uma das mulheres por trás de "Mercado de Capitais"
A diretora Meera Menon é apenas uma das mulheres por trás de “Mercado de Capitais”

As mulheres também estão por trás das câmeras – e em peso!
Além de ser dirigido por Meera Menon, de Farah Goes Bang (2013), Mercado de Capitais tem várias outras mulheres em posições-chave. A começar pela roteirista Amy Fox, que escreveu o texto baseado em uma ideia que desenvolveu em parceria com as atrizes e produtoras Sarah Megan Thomas e Alysia Reiner (a Fig de Orange Is the New Black). As duas estão no elenco do filme, que é o primeiro lançamento de sua empresa, a Broad Street Pictures. Outras mulheres na equipe incluem a compositora Alexis Marsh, a designer de produção Diane Lederman e a figurinista Teresa Binder.

O filme foi financiado por mulheres que realmente trabalham em Wall Street.
Grande parte do orçamento do filme (cujo valor é desconhecido) foi levantado graças ao investimento de mulheres que trabalham ou já trabalharam no mercado financeiro. Elas também ajudaram as realizadoras ao dividir com elas situações pelas quais passaram e as dificuldades de se trabalhar em uma indústria dominada por homens.

investidora
Na foto, algumas das investidoras do filme – de pé, a partir da esquerda: Deborah Carstens, Candy Straight, Salima Habib, Janice Reals Ellig, Christine Toretti, Linda Zwack Munger, Audrey McNiff, Susan Bevan, Suzanne Ordas Curry e Anne Erni; sentadas, a partir da esquerda: Linnea Roberts, Monica Mandelli and Barbara Byrne.

É o primeiro papel de Anna Gunn no cinema depois de Breaking Bad.
E também um raro papel de protagonista! Duas vezes ganhadora do Emmy pelo papel de Skyler White, a atriz finalmente tem a chance de mostrar seu talento no cinema. Além disso, aos 48 anos ela tem a idade certa para o papel – não se trata, portanto, de um daqueles filmes hollywoodianos que escalam uma atriz mais jovem apostando em maior apelo comercial. Vale notar, também, que a personagem de Gunn tem um relacionamento com um investidor interpretado pelo ator James Purefoy, 52 anos. Ou seja: nada daquelas enormes diferenças de idade que nos cansamos de assistir…

O momento do lançamento é especialmente relevante.
Mercado de Capitais não faz referências à política, mas ganha força no momento em que Hillary Clinton pode se tornar a primeira mulher a ocupar a presidência dos Estados Unidos. Clinton lutou por espaço em um meio tão machista quanto o mercado financeiro – e concorre com um candidato que tem comportamento deplorável no que diz respeito às mulheres.

Alysia Reiner, Anna Gunn e Sarah Megan Thomas, as três principais atrizes de "Mercado de Capitais"
Alysia Reiner, Anna Gunn e Sarah Megan Thomas, as três principais atrizes de “Mercado de Capitais”

A história do filme vai inspirar uma série de TV.
A rede americana ABC já começou a desenvolver uma versão de Mercados de Capital para a televisão, e novamente há várias mulheres envolvidas. O roteiro será de Regina Corrado (Deadwood, The Strain), que também será produtora executiva ao lado de Amy Pascal, Rachel O’Connor, Reiner e Thomas.

O filme é bom!
Para além da pegada feminista, Mercado de Capitais também funciona muito bem como thriller financeiro – ponto. De acordo com o site especializado Rotten Tomatoes, 81% das críticas foram positivas, e o filme “traz uma bem-vinda mudança de perspectiva ao gênero, além de uma história cheia de nuances e um elenco excelente”. Vamos nessa?

Veja o trailer (em inglês):

Sessões na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:

  • 21/10, às 22h20, no Reserva Cultural
  • 23/10, às 18h, no Cine Caixa Belas Artes
  • 25/10, às 20h, no Espaço Itaú de Cinema – Augusta

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