15 filmes dirigidos por mulheres sobre a ditadura militar

Em 2019 completam-se 55 anos do golpe de 1964, que deu início a mais de duas décadas de ditadura militar no Brasil. Neste período, o governo cancelou eleições, censurou a imprensa e atuou com brutalidade, perseguindo, prendendo, torturando e assassinando opositores.

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Tema marcante do cinema brasileiro, o golpe militar foi e continua sendo explorado tanto em documentários como em filmes ficcionais. Mulher no Cinema reuniu 15 longas-metragens dirigidos por cineastas brasileiras que abordam o período e mostram que a ditadura deve ser cada vez mais discutida – e nunca comemorada.


“Que Bom Te Ver Viva” – [Brasil, 1989]
A diretora Lucia Murat combina ficção e documentário neste filme centrado nas histórias de mulheres que, como ela, foram presas e torturadas durante a ditadura militar. Quem conduz o espectador é Irene Ravache, interpretando uma personagem anônima. Saiba mais sobre o longa 


“AI-5 – O Dia que Não Existiu” – [Brasil, 2004]
Com direção geral de Paulo Markun e direção artística de Adelia Sampaio, o documentário reconstitui a sessão da Câmara  dos Deputados que, em dezembro de 1968, rejeitou o pedido do governo para processar o então deputado Márcio Moreira Alves (1936-2009). O episódio é tipo como pretexto para a edição do Ato Inconstitucional 5, que desencadeou o período mais duro da ditadura militar.


“Corpo” – [Brasil, 2007]
Com direção de Rossana Foglia e Rubens Rewald, a ficção narra a obsessão de um médico legista (interpretado por Leonardo Medeiros) em descobrir a identidade de um cadáver. O corpo fora encontrado em meio a restos mortais de presos políticos mortos durante a ditadura. 


“Memória para Uso Diário” – [Brasil, 2007]
Durante mais de 30 anos, Ivanilda procurou por sinais do seu marido, desaparecido desde 1975. Suas idas e vindas se combinam às ações de militantes e parentes das vítimas da ditadura e da violência policial no Rio de Janeiro. A partir da história dela, o documentário de Beth Formaggini mostra a ação do grupo Tortura Nunca Mais, que busca impedir que o que aconteceu no passado se repita no futuro.


“Diário de uma Busca” – [Brasil, França, 2010]
Em outubro de 1984, o jornalista Celso Castro foi encontrado morto no apartamento de um ex-oficial nazista, no que a polícia afirmou se tratar de suicídio. Este episódio é o ponto de partida deste documentário, no qual a diretora Flavia Castro, filha de Celso, investiga a vida e a morte de seu pai. 


“Marighellla” – [Brasil, 2012]
Líder comunista, preso político, parlamentar e autor, Carlos Marighella (1911-1969) foi considerado o  inimigo número 1 da ditadura militar brasileira. Neste documentário, a diretora Isa Grinspum Ferraz, sobrinha de Marighella, recupera sua trajetória.


“Hoje” – [Brasil, 2013]
Vera (Denise Fraga) é uma ex-militante política que realiza o sonho de comprar seu próprio apartamento. Para fazer a compra, ela usa o dinheiro da indenização recebida pelo desaparecimento de seu marido durante a ditadura. Mas, no dia da mudança, ele reaparece. Dirigido por Tata Amaral.


“A Memória que me Contam” – [Brasil, 2013]
Irene Ravache interpreta o alter-ego da diretora Lucia Murat ao viver uma ex-revolucionária que reencontra antigos companheiros de resistência em uma sala de hospital. Todos aguardam notícias sobre a saúde da também guerrilheira Ana (Simone Spoladore), personagem livremente inspirada na economista e socióloga Vera Silvia Magalhães (1948-2007), que foi amiga de Murat e a quem o filme é dedicado.


“Setenta” – [Brasil, 2013]
Em 1970, durante a ditadura militar, um grupo de 70 presos políticos foi enviado ao Chile como exigência para a libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher (1913-1992), que havia sido sequestrado. O documentário de Emília Silveira fala com alguns dos ex-presos, 40 anos depois.


“Retratos de Identificação” – [Brasil, 2014]
Durante a ditadura militar, presos políticos eram fotografados durante investigações, interrogatórios, exames de corpo de delito, processos de banimento e inquéritos policiais militares. O documentário de Anita Leandro confronta estas imagens com depoimentos de sobreviventes.


“Galeria F” – [Brasil, 2016]
O documentário de Emília Silveira narra a trajetória de Theodomiro Romeiro dos Santos. Capturado pelos militares, ele mata um sargento que tentava atingir um companheiro. Após cumprir nove anos da prisão e sobreviver à tortura, Theodomiro é ameaçado de morte e decide fugir. No filme, refaz o caminho da fuga ao lado do filho Guga, que entra em contato com a história do pai pela primeira vez.


“Trago Comigo” – [Brasil, 2016]
Telmo é um diretor de teatro aposentado que não consegue se lembrar totalmente do que passou durante a ditadura militar. Por isso, decide montar uma peça, combinando a memória com improvisos do elenco. Dirigido por Tata Amaral. Leia entrevista sobre o longa 


“Amores de Chumbo” – [Brasil, 2017]
Após 40 anos, a escritora Maê reencontra o casal Miguel e Lúcia – ele um professor de sociologia e ex-preso político, ela a parceira que se dedicou a tirá-lo da prisão. Pelo ponto de vista desses três personagens, o filme revive a história política e social do Brasil nos anos de ditadura militar. Dirigido pela cineasta Tuca Siqueira.


“Pastor Cláudio” – [Brasil, 2017]
Uma conversa entre o psicólogo Eduardo Passos e Cláudio Guerra, assassino que esteve a serviço do Estado brasileiro durante a ditadura militar. Pastor Cláudio foi responsável por mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres de militantes que até hoje estão desaparecidos. Documentário de Beth Formaggini.


“Histórias que Nosso Cinema (não) Contava” – [Brasil, 2018]
O documentário dirigido por Fernanda Pessoa realiza uma releitura histórica da ditadura militar no Brasil, com foco nos 1970. Para isso, utiliza apenas imagens e sons de 27 filmes produzidos no período e que foram considerados pornochanchadas, o gênero mais visto na época. Assista à entrevista com a diretora.


Luísa Pécora é jornalista e criadora do Mulher no Cinema

2 thoughts on “15 filmes dirigidos por mulheres sobre a ditadura militar

  1. Fundamental o trabalho dessas mulheres sobre esse período negro da história do Brasil. Mais importante se torna quando o governo atual nega a existência desse período como ditadura e minimiza fatos tão contundentes.

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