10 filmes para conhecer o cinema de Chantal Akerman

“Existem cineastas bons, cineastas ótimos, cineastas que estão na história do cinema. E existem alguns poucos cineastas que mudaram a história do cinema”

A frase é de Nicola Mazzanti, chefe do Royal Belgian Film Archive, sobre Chantal Akerman (1950-2015), diretora belga que foi pioneira do cinema experimental e feminista. Em mais de 40 anos de carreira, a cineasta fez curtas, longas, ficções, documentários e videoinstalações muitas vezes retratando cenas cotidianas e convidando o espectador a observar e sentir a passagem do tempo.

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Entrevista:
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“Tudo o que você tem é o tempo”, afirmou, certa vez, a diretora. “Nos meus filmes, vocês está ciente de cada segundo que passa, através do seu corpo. Você está diante de si mesmo. Você está cara a cara com o outro. É a partir deste face a face fundamental que seu senso de responsabilidade se inicia.”

Mulher no Cinema reuniu dez títulos para quem quer (começar a) conhecer a obra de Akerman:


“Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles” (1975)
Considerado um dos filmes mais audaciosos do cinema (é sobre ele o comentário que abre esse texto), estreou quando Akerman tinha 25 anos. Acompanha a rotina de uma mulher, interpretada por Delphine Seyrig, que faz tarefas em casa e recebe dinheiro por sexo. Na New Yorker, Richard Brody escreveu:

“Akerman apresentou imagens monumentalmente compostas e meticulosamente observadas da rotina doméstica de uma mulher […] Estas imagens provam cinematograficamente que as vidas domésticas das mulheres são arte; que as vidas privadas das mulheres são devastadas pela história tanto quanto as vidas no palco público da política; que a pressão do confinamento inquestionável e incontestável das mulheres ao âmbito doméstico e aos papéis familiares é uma loucura social que leva à ruína, é uma forma de violência que gera violência.”


“Je, Tu, Il, Elle” (1976)
Julie, interpretada pela própria diretora, é uma jovem que se confina em sua casa, arrumando o quarto, escrevendo cartas e comendo açúcar. Certo dia, decide sair para encontrar a ex-namorada.


“News From Home” (1977)
Um retrato do período que Akerman passou em Nova York, combina imagens de diferentes pontos da cidade à leitura de cartaz escritas pela mãe da diretora, que estava na Bélgica.


“Une Jour Pina a Demandé…” (1983)
Neste documentário, Akerman mostra o trabalho de outra grande artista mulher: Pina Baush (1940–2009). A diretora acompanha a coreógrafa e sua companhia de dança durante uma turnê pela Europa.


“Um Divã em Nova York” (1996)
Talvez o filme mais “comercial” da diretora, conta a história de um analista nova-iorquino e uma jovem parisiense que, sem se conhecer, trocam de casa. Os protagonistas são Juliette Binoche e William Hurt.


“Sud” (1999)
Um olhar sobre a região sul dos Estados Unidos a partir de um crime motivado por racismo: o assassinato de James Byrd Jr., homem negro que foi espancado e arrastado pelo asfalto em Jasper, Texas.


“La Captive” (2000)
Uma adaptação da obra de Marcel Proust (1871-1922), um dos autores que mais marcaram Akerman. Ambientado em Paris, o filme mostra a relação entre Ariane e Simon, um homem ciumento.


“A Loucura de Almayer” (2011)
Também uma adaptação literária, desta vez da obra escrita por Joseph Conrad (1857-1924). Akerman passou a narrativa dos anos 1890 para os 1950, contando a história de um ambicioso comerciante holandês na Malásia e sua relação com a filha, Nina.


“No Home Movie” (2015)
O último filme de Chantal Akerman é um ótimo documentário sobre o relacionamento com a mãe, Natalia, que morreu em 2014, alguns meses após o término das filmagens. Sobrevivente de Auschwitz, Natalia teve uma profunda influência no trabalho da filha.

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