Crowdfunding: “Yorimatã”

Mulher no Cinema dá espaço a iniciativas de financiamento coletivo relacionadas ao trabalho das mulheres nas telas. A ideia é apresentar filmes e outros projetos independentes a quem quer colaborar. Mande sua sugestão para mulhernocinema@gmail.com


YORIMATÃ

O PROJETO

Documentário de longa-metragem dirigido por Rafael Saar sobre as cantoras, compositoras e multi-instrumentistas Luhli e Lucina. O filme combina material de arquivo (incluindo vídeos raros em super-8mm de shows e momentos íntimos das duas) com filmagens atuais de apresentações, depoimentos das artistas e encontros musicais com Ney Matogrosso, Joyce Moreno, Gilberto Gil, Tetê Espíndola, Alzira E., Zélia Duncan, Antonio Adolfo, Luiz Carlos Sá, entre outros.

A HISTÓRIA

Artistas independentes que apostam na experimentação musical, Luhli e Lucina escreveram mais de 800 canções para artistas como Nana Caymmi, Tetê Espíndola, Zélia Duncan e especialmente Ney Matogrosso – que gravou, por exemplo, “Bandoleiro”, “O Vira” e “Fala”. As duas também formaram uma família, junto com o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca. Veja o trailer:

O DIRETOR

Rafael Saar Nasceu em Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro. Mudou-se para Niterói para cursar Comunicação Social na Universidade Federal Fluminense e logo se interessou pelo audiovisual. Começou a fazer curtas-metragens e finalmente decidiu estudar cinema, formando-se em 2008.

Foi no final do curso que ele começou a trabalhar com o cineasta Joel Pizzini em Olho Nu, sobre Ney Matogrosso. Saar então descobriu o documentário, dando início a um filme sobre a cantora Baby do Brasil (ainda em produção) e, depois, Yorimatã.

COMO O PROJETO COMEÇOU

Em entrevista ao Mulher no Cinema, Saar contou ter descoberto Luhli e Lucina durante a pesquisa para Olho Nu. Ao analisar os discos de Ney Matogrosso, ele se surpreendeu ao notar que muitos tinham o nome da dupla, que ele e os colegas não conheciam.

“Quando fomos atrás, entrevistei [as duas] e ouvi a música espetacular que elas fazem, fiquei apaixonado. Foi o primeiro impulso para entender o motivo desse anonimato numa MPB recheada de estrelas”, afirmou.

“A imagem criada das grandes mulheres da Música Popular Brasileira é de intérpretes (incríveis) que cantam canções em sua maioria escritas por homens. Quis contar, com Luhli e Lucina, a história de duas mulheres autoras e donas de sua obra, tão singular; de uma família não convencional; de sua espiritualidade na umbanda; da batalha em uma sociedade que oprime mulheres, LGBTs, a cultura afro-indígena e quem decide traçar caminhos próprios em sua trajetória pessoal ou profissional.”

COMO SERÁ O LANÇAMENTO

Yorimatã está finalizado e já foi exibido em mais de 20 festivais, inclusive a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A campanha de financiamento coletivo busca conseguir levar o filme às salas comerciais de cerca de 20 cidades brasileiras.

Até agora, Saar disse que a reação do público tem sido emocionante. “As pessoas ficam surpresas com a história pessoal, a beleza das músicas e o fato de não terem podido conhecê-las antes”, contou. “Um casal me disse algo que resume isso: ‘Onde nós estávamos que não vimos isso tudo? Cegos?'”

COMO COLABORAR

A campanha de financiamento está rolando neste site e vai até 01/03. A meta é arrecadar R$ 17 mil para a produção das cópias do documentário e sua distribuição, além de criação de materiais gráficos para a divulgação do filme. As colaborações começam em R$ 10 e preveem diferentes recompensas.

PALAVRA DO DIRETOR

“O documentário tem perdido espaço e público nas salas de cinema, então tem sido necessária uma força maior do que a comum para que qualquer filme entre em circuito. Yorimatã me parece um filme necessário não só pela importância e beleza da história de Luhli e Lucina, mas pela semente de liberdade, amor e criatividade que deixa em quem assiste. Estamos em um momento político-comportamental de escrotidão, em que vemos – paralelamente ao avanço do progresso das liberdades individuais, dos movimentos sociais – o crescimento de respostas reacionárias e opressoras de parte da sociedade e do próprio Estado. O filme aborda questões de família, sexualidade, espiritualidade e de liberdade artística e de expressão que são um respiro e inspiração para as pessoas.”

PARA SABER MAIS

Acesse a página no Facebook e o site de Luhli e Lucina

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